✑ A madrugada

De certo há algo nela que me conforta.
Ruídos a distância
que nos levam a uma viagem ao recanto
mais obscuro do EU
As vezes eu sento na varanda
e fico ouvindo os sons

✑ CANSAÇO

"Toma-me ó morte, em teus braços, e chama-me teu filho,
Eu sou um triste, que perdi todos os meus sonhos nas garras de tigre da noite escura
Qual verme que se instalou em mim..."
Deixe um estrangeiro levar as migalhas que restam do meu Ser
E os glóbulos que ainda resistem no meu sangue...

"Toma-me ó morte em teus  em teus Reinos lassos
E chama-me teu súdito,
Eu sou um plebeu nobre
Que obedecerei a todas as suas leis
I N E R T E S
Inerentes  à você", uma vez que não devo mais nem sequer tentar satisfazer minha avidez e ambições doentias
Foram como serpes de fogo que me cegaram por completo...
"Toma-me ó morte, em teus escassos vácuos
Ocultos no nada,
Sou um materialista que  virei do lado avesso de onde eu vivia,
renunciei a todo quantum
De matéria do meu corpo doentio",
Deixe um deus queimar meu coração já farto de dor, em seu altar-mor,
Deixe um deus queimar meu coração já enfartado de dor no fogo sagrado da não-existência, 'não-consciência'...

"Toma-me ó morte em teu ventre e útero de aços
E chama-me teu filho",
Guarda-me da dor e estupro que sofro na tola existência humana,
Apague meu passado
E meu futuro
E guarda-me
Qual semente
De flor
Para renascer e desfazer-se ao nada...

"Toma-me ó morte
Em teus espaços laços
Abraços
Feitos de montanha e céu,
Eu sou uma águia
Que me despi por completo"...
E agora levo a esperar-te
Vorazmente
Na noite densa
Onde já  me esgotei por inteiro
Em todos meus cansaços
Escabrosos cansaços...
Toma-me ó morte...

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