✑ Vestir-me de poesia

Vestir-me de poesia. Sim, vestir-me de poesia.
Trajar versos de bom corte,
de sorte que não apresentem torpeza
(em que pese o peso da palavra).
Versos sem tristeza, bem costurados,
alinhavados com fortes linhas que nem o tempo
ou qualquer contratempo possa desmanchar.

E acreditem os futuros leitores,
poetas ou adoradores de versos bem cosidos,
livres ou divididos em métricas precisas,
estrofes concisas ou difusas,
que tais versos foram feitos numa noite
(e aqui não rimo, pois só posso usar açoite,
e tal palavra aqui não cai bem),
em que pensei em agulhas e linhas,
cores, sianinhas, tecidos que esvoaçam
enquanto me enlaçam
os braços das nove filhas de Zeus,
que fazem dos versos meus, uma roupa de poeta,
limpa, clara, discreta, tecida, palavra por palavra,
de própria lavra, numa noite quente,
em que, de repente, ousei mudar meu traje.

E com essa nova vestimenta,
parece que aumenta o brilho de todos os céus.
Sem escarcéus, canto meu canto na brisa da noite
(aqui de novo não rimo,
pois no cimo desses versos já lhos disse o porquê).

O que importa é que a roupa sirva e se ajuste
sem nenhum embuste ao crivo de seu olhar.
olhar de quem adora poetar, mesmo sem escrever.

E sem nada mais conter
no meu repositório de palavras e linhas,
arremato essa costura, fecho a tampa ao meu cestinho,
e sozinho, de tarde ou bem cedinho,
saio por aí em busca de olhos arregalados,
de ouvidos atilados, a ouvir meu canto.
Sei que nem sempre encanto,
portanto, ou no entanto, não importa; eu o convido:
venha ouvir-me.
Apenas abra a porta de sua sensibilidade,
e traga-me a felicidade de ser ouvido.

Tenho dito.

DADO CARVALHO
Sorocaba, 01 de fevereiro de 2014 – 00:50h

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